Cardiologia

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Tratamento da insuficiência cardíaca: um guia para controlar a doença no dia a dia

Entenda os pilares do tratamento da insuficiência cardíaca. Saiba como controlar os sintomas, fortalecer o autocuidado e evitar internações com apoio profissional.
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Equipe CHN - Equipe CHN Atualizado em 19/02/2026
Tratamento de insuficiência cardíaca

Entenda como os medicamentos, o estilo de vida e o automonitoramento são fundamentais para manter a qualidade de vida.

Acordar e sentir os sapatos mais apertados que o normal ou uma súbita falta de ar ao buscar algo no outro cômodo. Para quem vive com insuficiência cardíaca (IC), esses sinais podem ser um alerta de que o coração está trabalhando com dificuldade para bombear o sangue, causando acúmulo de líquido no corpo.

Felizmente, o tratamento adequado e algumas práticas diárias podem controlar esses sintomas e evitar complicações, permitindo uma vida mais ativa e segura. O plano terapêutico é sempre individualizado, desenhado por um cardiologista para atender às necessidades específicas de cada paciente.

O que é o tratamento para insuficiência cardíaca?

O tratamento para insuficiência cardíaca é um conjunto de estratégias médicas e de autocuidado que buscam fortalecer a função do coração, aliviar os sintomas e prevenir a progressão da doença. 

A meta não é apenas aumentar a sobrevida, mas garantir que os anos vividos tenham mais qualidade e menos limitações.

Os objetivos centrais do tratamento são:

  • Reduzir os sintomas: como cansaço, falta de ar (dispneia) e inchaço (edema) nas pernas e no abdômen.
  • Melhorar a capacidade física: permitindo que o paciente realize suas atividades diárias com mais conforto.
  • Diminuir hospitalizações: o controle da doença em casa é a chave para evitar crises agudas que exigem internação.
  • Aumentar a expectativa de vida: com o uso de terapias que comprovadamente protegem o músculo cardíaco.

Quais são os pilares do tratamento da insuficiência cardíaca?

A abordagem moderna para a insuficiência cardíaca se baseia em três pilares que se complementam. O médico especialista define a melhor combinação para cada caso, considerando o tipo de IC e a saúde geral do paciente.

Medicamentos: a base do controle diário

Os medicamentos são a principal ferramenta para controlar a insuficiência cardíaca. Atualmente, a terapia padrão para muitos casos de IC com fração de ejeção reduzida (quando o coração bombeia menos sangue do que o normal) se baseia em quatro classes de fármacos que atuam de formas diferentes e complementares para proteger o órgão.

As principais classes de medicamentos incluem:

  • Inibidores da neprilisina e do receptor de angiotensina (INRAs): relaxam os vasos sanguíneos e ajudam o corpo a eliminar sódio e água, reduzindo a sobrecarga no coração.
  • Betabloqueadores: diminuem a frequência cardíaca e a pressão arterial, fazendo com que o coração trabalhe de forma mais eficiente e com menos esforço.
  • Antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM): ajudam a reduzir a retenção de líquidos e a fibrose (cicatrização) do músculo cardíaco.
  • Inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2): inicialmente usados para diabetes, demonstraram grande benefício na IC ao ajudarem na eliminação de excesso de açúcar e sódio pela urina, reduzindo a volemia (volume de líquido no corpo).
  • Diuréticos: são essenciais para aliviar os sintomas de congestão, como o inchaço e a falta de ar, pois promovem a eliminação de excesso de líquido e sal do organismo.

Além dessas classes de fármacos, a reposição de ferro também é uma parte vital do tratamento para pacientes com deficiência, ajudando a evitar hospitalizações e a melhorar o bem-estar no dia a dia.

É fundamental que o uso de qualquer medicamento seja feito sob estrita orientação médica, pois as dosagens são ajustadas individualmente.

Mudanças no estilo de vida: seu papel ativo no tratamento

O sucesso do tratamento depende muito do engajamento do paciente. Adotar hábitos saudáveis é tão importante quanto tomar os medicamentos corretamente. As principais recomendações incluem:

  • Controle do consumo de sal: o sódio contribui para a retenção de líquidos, sobrecarregando o coração. É preciso reduzir o sal de cozinha e evitar alimentos processados, embutidos e enlatados.
  • Restrição de líquidos: em alguns casos, o médico pode orientar a limitação da quantidade de líquidos ingeridos por dia para evitar a sobrecarga hídrica.
  • Atividade física regular: exercícios leves a moderados, como caminhadas, sob supervisão profissional, ajudam a fortalecer o coração e a melhorar a capacidade respiratória.
  • Alimentação balanceada: uma dieta rica em frutas, vegetais e grãos integrais, e pobre em gorduras saturadas, ajuda no controle do peso e da pressão arterial.
  • Cessar o tabagismo e o consumo de álcool: ambos são tóxicos para o músculo cardíaco e pioram o prognóstico da doença.

Dispositivos e procedimentos avançados

Para casos mais graves ou que não respondem bem ao tratamento inicial, existem opções mais avançadas. A indicação depende de uma avaliação cardiológica completa.

  • Cardiodesfibrilador Implantável (CDI): monitora o ritmo cardíaco e, se detectar uma arritmia grave, dispara um choque elétrico para restaurar o batimento normal.
  • Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC): um tipo especial de marca-passo que ajuda as câmaras do coração a baterem de forma mais sincronizada e eficiente.
  • Transplante cardíaco: é a opção final para pacientes com insuficiência cardíaca em estágio terminal e que não possuem outras alternativas de tratamento.

Como o monitoramento diário em casa ajuda a evitar crises?

A vigilância constante de sinais e sintomas é uma das partes mais importantes do tratamento. Isso permite que o paciente e a equipe médica identifiquem problemas precocemente, antes que se tornem uma emergência.

O acompanhamento por telemonitoramento e o treinamento de cuidadores, por exemplo, aumentam a adesão aos medicamentos, sendo ferramentas essenciais para evitar novas internações por insuficiência cardíaca. 

Além disso, o apoio de gestores de saúde na equipe médica facilita o acompanhamento do tratamento diário, sendo essencial para que o paciente evite hospitalizações.

A importância de tomar os medicamentos corretamente

A adesão medicamentosa é vital. Pular doses ou interromper o uso de um remédio por conta própria pode desestabilizar a doença rapidamente, levando a uma piora dos sintomas e a uma possível hospitalização. Organize os horários, use caixas de comprimidos e converse com seu médico se tiver dúvidas ou sentir efeitos colaterais.

Criar o hábito de monitorar os sintomas e seguir a medicação rigorosamente aumenta a confiança no autocuidado, um fator fundamental para evitar internações por doenças crônicas.

Além disso, contar com o suporte de profissionais de saúde dedicados ao acompanhamento contínuo também facilita o controle do peso e a organização dos medicamentos, ajudando a prevenir complicações graves no coração.

O controle do peso: um sinal de alerta para o acúmulo de líquidos

O ganho de peso rápido e inexplicável geralmente não é gordura, mas sim acúmulo de líquido (congestão). Essa é uma das primeiras e mais importantes pistas de que a insuficiência cardíaca pode estar se descompensando.

  • Como medir: Pese-se todos os dias, pela manhã, logo após urinar e antes de tomar o café da manhã. Use sempre a mesma balança e roupas leves.
  • Como registrar: Anote o peso em um diário ou aplicativo. Leve essas anotações nas consultas médicas.
  • Quando se preocupar: Um aumento de 1 kg em um dia ou de 2 kg em três dias é um sinal de alerta. Entre em contato com seu médico imediatamente.

Esse controle simples permite que o médico ajuste a dose do diurético ou faça outras intervenções antes que a falta de ar e o inchaço se tornem graves.

É possível reverter ou curar a insuficiência cardíaca?

Na maioria dos casos, a insuficiência cardíaca é uma condição crônica, o que significa que não tem cura definitiva. O dano ao músculo cardíaco, uma vez estabelecido, raramente é reversível por completo.

No entanto, com o tratamento adequado e contínuo, é possível controlar a doença de forma muito eficaz. Muitos pacientes conseguem uma melhora significativa da função cardíaca, a ponto de os sintomas quase desaparecerem. O objetivo é transformar a insuficiência cardíaca em uma condição gerenciável, que não impeça o paciente de viver bem.

Quando devo procurar ajuda médica com urgência?

É fundamental saber reconhecer os sinais de uma descompensação aguda. Procure um pronto-socorro se apresentar algum dos seguintes sintomas:

  • Falta de ar intensa e súbita, mesmo em repouso ou que piora ao deitar.
  • Tosse com expectoração rosada ou espumosa.
  • Dor ou aperto no peito que não melhora.
  • Desmaio ou tontura extrema.
  • Batimentos cardíacos muito rápidos ou irregulares.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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